terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Compostagem no Jardim

Sabia que pode utilizar a parte orgânica do lixo que produz em casa para fazer composto e usar esse material no seu quintal ou jardim, melhorando a fertilidade do solo?
Vamos sugerir-lhe uma forma de aumentar a fertilidade do solo do seu jardim, resolvendo parcialmente o problema do lixo doméstico. Comece por colocar uma pilha de composto (inicialmente lixo) num canto menos utilizado do jardim. Escolha um local nivelado com aproximadamente 1 metro quadrado por cada caixa que queira fazer, preferencialmente fora do alcance da luz solar directa e com uma fonte de água próxima. Deve ainda ser um local protegido das vistas principais, por questões estéticas, e perto de casa para que não seja penoso utilizá-lo diariamente. Limpe o chão de folhas e de relva, pois vai aplicar a primeira camada directamente no chão que não pode ser impermeável (cimento, pedra, etc.).

Ao construir a "caixa" de compostagem (biodigestor), com rede galinheira ou madeira, etc., esteja certo que deixa bastante espaço aberto para que o ar alcance a pilha. Um lado da "caixa" removível facilita o manuseamento da pilha com uma pá. O compostor para uma família de três a cinco pessoas deve ter uma capacidade de cerca de um metro cúbico: duas caixas com aquela dimensão cada, com a da figura, permitem fazer a viragem de uma para a outra e manter o composto numa delas por uns dias enquanto se começa a encher a outra.


Fig. Biodigestor para compostagem de lixo doméstico. Caixa dupla com 1 m3 por compartimento.

Todos os resíduos orgânicos, desde que não sejam tóxicos ou poluentes, podem ser transformados em composto. Na prática, a maior parte dos resíduos orgânicos produzidos numa cozinha e num jardim podem ser compostados, dividindo-se normalmente os materiais em dois tipos: materiais com maior teor de azoto (materiais N) e materiais com maior teor de carbono (materiais C).

Os materiais N, tipicamente os restos produzidos na cozinha, são, por exemplo, as cascas e restos de batata e frutas, os legumes e hortaliça, as borras e filtros usados de café, as folhas e sacos de chá, o pão, o arroz e a massa, a casca de ovo esmagada, os restos de comida cozinhada (tapar com terra) e cereais. Os materiais C são sobretudo os produzidos nas limpezas do jardim, nomeadamente, aparas de relva e erva, folhas secas, ramos pequenos provenientes de podas ou limpezas do jardim, cabendo também nesta classificação feno e palha, aparas de madeira e serradura e pequenas quantidades de cinzas de madeira .
 Não se deve juntar nunca ao material a compostar a carne, peixe e ossos, pois podem atrair animais indesejáveis; os excrementos, pois podem conter microorganismos patogénicos passíveis de sobreviver ao processo de compostagem e resíduos de jardim com pesticidas, plantas com doenças e ervas daninhas com sementes, por razões óbvias.

A pilha que vai construir deverá ter a maior diversidade possível de resíduos, numa proporção semelhante de materiais C e materiais N. Deverão ser feitas camadas alternadas de um e de outro tipo de material. É importante notar que além de materiais N e C, há materiais mais grossos e mais finos, mais secos e mais húmidos, devendo todos estes componentes estar presentes na pilha.

Comece a pilha com uma camada de ramos partidos para facilitar o arejamento. Depois faça uma camada com 5 a 10 cm com materiais C, depois uma de igual espessura de materiais N e assim sucessivamente. A camada do topo deverá ser de material C. Logo que os resíduos orgânicos sejam colocados no recipiente de compostagem inicia-se o processo de decomposição através da acção de bactérias e fungos, sem termos que fazer nada. É um processo natural que se desenvolve por si. No entanto, para que corra bem e sem maus cheiros, é necessário que haja oxigénio suficiente, uma certa temperatura e que a humidade esteja dentro de certos limites.

A pilha deve ser virada de 15 em 15 dias, para que, dependendo das condições climáticas, o composto fique pronto em 3 ou 4 meses. Se virar a pilha raramente, o composto fica pronto num período de 6 meses a um ano.Quando se vira a pilha deve-se ter o cuidado de inverter as camadas (a inferior passa para cima e vice-versa). A pilha não deve estar exposta a ventos frios, demasiada chuva ou demasiado calor. O composto está pronto quando não se degrada mais mesmo sendo revirado, tem um aspecto relativamente homogéneo e granuloso onde os componentes originais não são reconhecíveis, tem cor escura e cheiro a terra rica em matéria orgânica. 


Há coisas que podem correr mal durante o processo de compostagem, mas que são normalmente passíveis de correcção. Quando o processo é lento, é possível que existam demasiados materiais C, sendo necessário adicionar materiais com maior teor de azoto e revirar a pilha.

O cheiro a podre pode ter origem em excesso de humidade (o composto não deve estar a escorrer água nem alagado). Neste caso revire a pilha e adicione materiais secos e porosos como folhas secas, serradura, aparas de madeira ou palha. Outra causa possível para o cheiro a podre é o excesso de compactação; deve, neste caso, revirar a pilha ou diminuir o seu tamanho.

O cheiro a amónia, tem normalmente origem em excesso de materiais N. Deve neste caso adicionar materiais C.

A temperatura muito baixa: pode ter diversas causas:
- Pilha pequena demais: aumente o tamanho da pilha ou isole-a lateralmente.
- Humidade insuficiente: adicione água quando revirar ou cubra a parte superior da pilha ( o composto deve ter cerca de 50% de humidade).
- Arejamento insuficiente: revire a pilha. Certifique-se que o recipiente tem aberturas laterais e que a primeira camada premite a passagem de ar.
- Falta de materiais N (azoto): adicione este tipo de materiais.
- Clima frio: aumente o tamanho da pilha ou isole-a com um materia que deixe passar o ar.

Quando a temperatura é muito elevada, ou a pilha é grande demais ou o arejamento é insuficiente. Há que diminuir o tamanho da pilha e revirá-la com maior frequência.

Por último, a presença de pragas: pode ser devida à presença de restos de carne ou de restos de comida com gordura. Deve retirar este tipo de alimentos e cubrir a pilha com uma camada de solo ou folhas. Pode em alternativa usar um compostor que não permita a entrada às pragas. 


Depois de pronto, o composto deve repousar entre duas a quatro semanas antes de ser aplicado. Depois desta fase de maturação, pode ser aplicado em relvados, jardins, quintais, à volta das árvores ou mesmo para envasar plantas (neste caso deve juntar 1/3 de composto, 1/3 de areia e 1/3 de terra).


O composto é geralmente aplicado uma vez por ano, na Primavera ou no Outono. Deve ser espalhado por cima da terra ou colocado numa camada com 2 ou 3 cm, misturado com aquela, mas nunca deve ser enterrado.

Golfinhos portugueses têm das maiores concentrações de mercúrio da Europa

Investigadores da Universidade de Aveiro descobriram que os níveis de mercúrio presentes em roazes e botos da costa portuguesa são dos mais elevados que ocorrem na costa atlântica europeia, o que é preocupante para golfinhos e humanos.


Os golfinhos da costa portuguesa têm dos níveis mais elevados de mercúrio no organismo quando comparados às populações que habitam na restante costa europeia. A quantidade deste metal pesado altamente tóxico para a saúde, e cujos valores presentes nas populações nacionais de golfinhos foram investigados por uma equipa de biólogos da Universidade de Aveiro (UA) liderada por Sílvia Monteiro, do Departamento de Biologia da UA, só é mesmo ultrapassada pelas espécies que habitam nas costas dos mares Mediterrâneo e Adriático. A investigação da UA deixa o alerta e diz que podemos estar perante um “potencial problema associado ao mercúrio no ecossistema marinho em Portugal”.

As análises ao mercúrio, realizadas em dezenas de animais que deram à costa nos últimos anos - já mortos ou que acabaram por morrer nas praias – centraram-se nos organismos de duas das espécies mais comuns das águas nacionais: o roaz (Tursiops truncatus) e o boto (Phocoena phocoena).  No caso da espécie roaz, verificaram-se dos níveis mais elevados de mercúrio em águas europeias, com valores só excedidos por animais analisados em águas do Mediterrâneo e Adriático. Resultados similares, embora relativamente menores, foram encontrados para a espécie boto.

Os investigadores do Departamento de Biologia e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da UA lembram que a principal via de entrada do mercúrio e de outros poluentes químicos nos golfinhos ocorre por ingestão. A bióloga Sílvia Monteiro, salienta que “algumas das presas principais destes golfinhos são espécies comerciais importantes, pelo que representam alimento frequentemente ingerido pelos humanos”.

De onde vem o mercúrio?

Da origem do mercúrio, Sílvia Monteiro refere dois fatores que podem estar a influenciar a presença deste metal pesado nos golfinhos analisados: fenómenos naturais ligados a processos oceanográficos ou geotérmicos e a ação do homem, nomeadamente a agricultura, a indústria, o tráfego marítimo ou a exploração mineira.

“Os golfinhos possuem um conjunto de características – são predadores de topo, têm uma limitada capacidade de excreção de poluentes, têm uma elevada longevidade e elevada mobilidade - que os torna potencialmente ameaçados por poluentes químicos e potenciais sentinelas do estado de contaminação do ecossistema marinho”, explica Sílvia Monteiro, investigadora do Departamento de Biologia e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da UA.


Apesar da comunidade científica mundial pouco ainda saber sobre os efeitos dos poluentes químicos na saúde dos golfinhos, Sílvia Monteiro lembra que “existem já vários estudos que mostram que a exposição a metais pesados interfere no desenvolvimento e crescimento, em processos neurológicos e no sucesso reprodutivo, e pode provocar alterações mutagénicas, imunossupressão e danos hepáticos e renais”.


Considerando o estatuto de conservação destas espécies e considerando a sobreposição entre algumas atividades humanas e os habitats mais utilizados pelos golfinhos da costa continental portuguesa, Sílvia Monteiro diz que “é fundamental conhecer o impacto das ameaças antropogénicas sofridas por estas espécies de modo a permitir uma implementação eficaz de estratégias de conservação”.

Fonte: http://naturlink.pt/article.aspx?menuid=20&cid=94892&bl=1 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

25 Dicas para uma casa mais sustentável

Comprar, construir ou arrendar uma casa é uma decisão que envolve muitas e importantes questões. Se pretende mudar de casa, eis a altura certa para olhar para o futuro espaço de forma mais sustentável. A Quercus vai tentar ajuda-lo nesta decisão, de forma a torná-la social, económica e ambientalmente equilibrada. Apresentando 25 sugestões, vamos tentar contribuir para que a sua decisão seja o mais próxima dos seus padrões de conforto, “poupando na sua carteira” ao mesmo tempo que “poupa no ambiente”!
Localização 
1. A localização de um edifício é muito importante no que respeita às necessidades térmicas do espaço interior. Estas necessidades estão contempladas no Regulamento de Características de Comportamento Térmico dos Edifícios (RCCTE), onde se apresentam estratégias que contribuem significativamente para a melhoria do desempenho térmico dos edifícios. Procure aconselhamento especializado para verificar se a casa que vai habitar cumpre este Regulamento tanto para a situação de Verão como para a situação de Inverno.

2. Prefira um local arejado com pouco trânsito automóvel, o que se traduz em menos poluição e, bem servido de transportes públicos, para que os possa usar em alternativa. Se lhe for possível habitar próximo do seu local de trabalho, desloque-se a pé. Far-lhe-á bem à saúde e contribuirá para um ambiente mais saudável.
Orientação Solar
3. O Sol é a nossa maior fonte de energia. Tire disso o melhor proveito escolhendo uma casa maioritariamente orientada a Sul de molde a minimizar consideravelmente as necessidades de aquecimento durante a estação de Inverno. A radiação solar incide nas janelas de vidro e aquece de forma natural o espaço interior. 


4. Durante a estação de Verão, há que impedir o sol de incidir nas janelas voltadas a Sul, verifique se as janelas possuem uma protecção pelo lado exterior: uma pala, persiana ou até vegetação (de folha caduca no Inverno).

5. Se a casa que vai habitar tiver janelas orientadas a nascente (Este) ou poente (Oeste) necessita obrigatoriamente de persianas exteriores, pois é nestas orientações que o sol incide mais horizontalmente. É imperativo, durante a situação de Verão, correr estas persianas, protegendo o vidro, pela manhã a Nascente e ao final da tarde a Poente.

6. O lado Norte da casa deve ser reservado a W.C.s, arrumos, ou outras divisões que necessitem de poucas aberturas (ou mesmo nenhuma) para o exterior. É nesta orientação que se originam grandes perdas térmicas através do vidro durante a estação fria. Se for impossível a escolha de uma casa sem divisões orientadas a Norte, então tenha sempre presente esta questão.

7. As fachadas envidraçadas originam grandes ganhos térmicos na estação quente e perdas térmicas muito consideráveis durante a estação fria, o que implica sistemas de climatização adicionais para corrigir este efeito. A área de envidraçado de uma divisão não deve ultrapassar 15% da área de pavimento dessa divisão.
Iluminação e Equipamentos 
8. Devemos também tirar partido do sol no que respeita a iluminação. Prefira divisões iluminadas naturalmente para minimizar a necessidade de iluminação artificial. Existem no mercado equipamentos de transporte de luz natural para divisões não iluminadas. Este “transformador de luz natural” canaliza a luz do exterior para o interior. 

9. Sempre que necessária a iluminação artificial, opte por lâmpadas de baixo consumo e por iluminação localizada (só apenas onde é de facto necessária). Esta iluminação deverá ser provida de dispositivos para regulação do ambiente luminoso.

10. Se a casa que vai habitar ainda não possui equipamentos electrodomésticos, prefira, sempre que possível, os de Classe A, mais eficientes no que respeita ao consumo de energia e ao contrário do que se pensa não são necessariamente mais caros.
Construção
11. A localização e orientação solar, bem como a construção do edifício, é determinante para se ter uma casa confortável, do ponto de vista térmico. Verifique na Ficha Técnica da Habitação (FTH) como são as paredes exteriores do edifício. Deverá optar por soluções de parede dupla com isolamento ou parede simples com isolamento pelo exterior da parede.

12. O isolamento térmico adequado é determinante para evitar perdas de calor no Inverno ou ganhos de calor no Verão, mantendo assim uma temperatura constante no interior de sua casa. Prefira um material de isolamento com um baixo índice de condutibilidade térmica (U-value), mas com baixo teor de energia incorporada (energia consumida desde a extracção da matéria prima até ao produto final).

13. Verifique as caixilharias e o vidro. Aquelas com corte térmico (são fabricadas de forma a promover uma redução da transmissão térmica entre 40% a 60%) e vidro duplo são as mais indicadas do ponto de vista de conservação de energia. No entanto, deverá optar por caixilharias com grelhas de ventilação, para facilitar a renovação do ar. 

14. Dê especial importância aos materiais utilizados, preferindo os de baixo impacte ambiental, não só na sua produção, mas também ao longo da sua vida útil. Informe-se sobre o poder de reutilização ou reciclagem dos materiais utilizados na sua casa.
15. É importante escolher materiais homologados e/ou com marcação CE e, nos casos mais importantes, solicitar os certificados de conformidade de acordo com as especificações aplicáveis, emitidos por entidades idóneas e acreditadas, seguindo as instruções dos fabricantes para a aplicação dos mesmos.

16. Verifique se a cobertura do edifício (terraço ou telhado), está adequadamente isolada (poderá fazê-lo através da FTH). Prefira um isolamento imputrescível e resistente à água, preferencialmente colocado sobre a laje e sobre a camada de impermeabilização.

17. Se o pavimento de sua casa estiver em contacto com o solo, opte por isolantes térmicos imputrescíveis e resistentes à água, ou pavimentos com caixa-de-ar e devidamente impermeabilizados para evitar perdas térmicas ou outras patologias associadas através do solo (estas soluções construtivas devem vir explicadas na FTH)

18. A renovação do ar interior é muito importante para que se mantenham as condições de salubridade interior nos edifícios. Uma casa insuficientemente ventilada poderá gerar humidade através dos vapores que se formam, afectando o conforto ou mesmo a saúde dos habitantes. Verifique se as caixilharias possuem dispositivos que permitem a ventilação.

19. As cores utilizadas nas fachadas e coberturas também influenciam o conforto térmico. Seja selectivo na escolha da cor de sua casa, considerando que, as cores claras não absorvem tanto o calor como as cores mais escuras (enquanto uma fachada branca pode absorver só 25% do calor do sol, a mesma fachada, pintada com cor preta, pode absorver o calor do sol em 90%).
Energias Renováveis 
20. Se a casa que pensa habitar está provida de equipamentos que funcionam à base de energia renovável, tanto melhor! Se vai construir é altura de os aplicar. De entre os vários existentes no mercado destacam-se:

Colectores solares térmicos

Estes equipamentos captam a energia do Sol e transformam-na em calor, permitindo poupar até 70% da energia necessária para o aquecimento de água. O RCCTE diz que todos os edifícios novos com condições de exposição solar adequada serão obrigados a ter, sempre que seja tecnicamente viável.

Painéis solares fotovoltaicos

Estes painéis constituem uma das mais promissoras formas de aproveitamento de energia solar. Por meio do efeito fotovoltaico, a energia contida na luz do Sol é convertida em energia eléctrica. Estes sistemas podem ser utilizados em locais isolados, sem rede eléctrica, ou como sistemas ligados à rede.

Bombas de calor geotérmicas

São sistemas que aproveitam o calor do interior da Terra para o aquecimento do ambiente. Actuam como máquinas de transferência de calor. No Inverno, absorvem o calor da Terra e levam-no para sua casa. No Verão, funcionam como ar condicionado, retirando o calor de sua casa para arrefece-lo, no solo.


Mini-turbinas eólicas

A energia do vento acciona estes sistemas para fornecer electricidade a uma micro-escala. Embora as micro-turbinas eólicas mais comuns sejam colocadas no terreno, existem umas de pequena dimensão que podem ser colocadas no topo das habitações. Podem significar uma redução do consumo de electricidade de 50% a 90%.

Sistemas de aquecimento a biomassa

A biomassa pressupõe o aproveitamento da matéria orgânica (resíduos provenientes da limpeza das florestas, da agricultura e dos combustíveis resultantes da sua transformação). Em casa, este tipo de matéria pode ser utilizada, por exemplo, em sistemas de aquecimento, representando importantes vantagens económicas e ambientais.
Água
21. Existem no mercado torneiras de regulação do fluxo de água, que permitem reduzir o caudal estimulando a poupança deste recurso. Se a casa que vai habitar não possui estas torneiras, existem peças acessórias redutoras de caudal.

22. Verifique se os autoclismos são providos de dispositivos de dupla descarga que induzem poupança de água. (Poderá ainda colocar quando possível, uma ou duas garrafas de água com areia no interior, dentro do depósito do seu autoclismo. Isso significa poupar até 3 litros de água por descarga).

23. Se vai construir a sua casa e tem terreno disponível, tem a possibilidade de a equipar com mini estações de tratamento de água ou mini cisternas de armazenamento de águas pluviais, para posteriores utilizações em descargas não potáveis (como regas de jardim, autoclismos ou lavagem de automóveis).
Resíduos
24. No caso de vir a habitar um edifício de vários condóminos, verifique se no prédio existe espaço destinado a contentores adequados à separação de resíduos domésticos.

25. Dentro de sua própria casa opte sempre por um depósito de resíduos domésticos com pelo menos três divisões para estimular a separação destes resíduos.
Para terminar, se tiver oportunidade de reabilitar em vez de construir de novo, e se essa opção for economicamente viável, está desde logo a ter uma atitude mais sustentável. Reabilitar um edifício existente possibilita a diminuição dos impactes resultantes da energia associada à produção de um novo e da extracção das respectivas matérias-primas, para além de contrariar a tendência do crescimento urbano excessivo e a ocupação e impermeabilização de novas áreas de solo importantes para a conservação dos valores e equilíbrios naturais e para as várias actividades humanas!
Fonte: Site: www.quercus.pt

Doe material que já não precise!

O CERAS é um dos hospitais de fauna selvagem a cargo da Quercus e lança agora uma campanha de angariação de donativos monetários e/ou em géneros. Saiba como pode apoiar o trabalho deste e doutros centros, que em grande parte funcionam a partir do esforço de voluntários e estudantes.

A manutenção de um centro de recuperação implica muitos gastos entre despesas de alimentação, manutenção de instalações, materiais, tratamentos e funcionários.

Existem diversas formas de colaborar com o CERAS:
- ações de voluntariado e divulgação dos nossos contactos e atividades
- donativos económicos
- apadrinhamento de animais selvagens
- donativo de materiais, medicamentos ou outro tipo de elementos que possam ser de utilidade para o centro.
Atualmente, os apadrinhamentos e donativos monetários são especialmente importantes. Qualquer contributo, por pequeno que seja, marca a diferença!

Que materiais posso doar?
Em baixo segue uma lista dos materiais, alimentos e medicamentos que mais utilizamos no CERAS.

- Material de enfermaria: agulhas, seringas, compressas, ligaduras, gazes, adesivos, sistemas de administração de medicação intravenosa, frascos para recolha de amostra (de diversos tamanhos), material para curas: tesouras, bisturi, laminas de bisturi, pinças, fio de sutura

- Desinfectantes/antisepticos: povidona iodada, agua oxigenada, clorhexidina, desinfetante superfícies, alcool

- Suplementos alimentícios e alimentos: ração de gato júnior, papa para insectívoros, mistura de sementes, ração de cão , alimentos para nutrição enteral altamente calóricos ou com proteínas de alta qualidade (Tipo Ensure plus, recovery, convalescence...), carnes e peixes, complexos vitamínicos

- Medicamentos: tanto injectáveis como em comprimidos, orais, tópicos ou outras formulações (pediátricas são de especial interesse). Soros.

- Outros materiais: jornais velhos, caixas de transporte de animais (de diversos tamanhos), tapetes de relva artificial, pregos e parafusos de diversos tamanhos, fita-cola (fita americana, fita de pintor...), luvas de soldador (para assegurar aos animais), luvas de jardinagem, caixas ou gaiolas para o internamento, luvas de látex, luvas tipo "vileda", pratos e recipientes de plástico, caixinhas de plástico de diversos tamanhos, serradura para as caixas do biotério, limpador amoniacal, lava-loiça, lixivia, toalhas e panos, esfregão, esfregona, vassoura...

Para qualquer questão, podem contactar:
Telemóvel: 963 957 669

O que fazer quando encontra um animal ferido?

Por vezes a caminho de casa ou do trabalho, damos de caras com um animal ferido. O que devemos de fazer? Parar e avaliar a situação? Ou simplesmente fingir que não vemos e seguir viagem? 
Caso queira ajudar o animal ferido, siga os seguintes passos:

1 - Aproxime-se cautelosamente, usando uma toalha ou manta para cobrir o animal, de modo a que este não o possa ferir enquanto se debate.

2 - Se tiver uma caixa de cartão, preferencialmente apenas um pouco maior do que o animal em si, coloque-o lá dentro, perfurando-a previamente. Se não tiver, enrole a toalha que usou à volta do animal para lhe limitar os movimentos, de forma a proteger-se a si e a ele próprio. Se tiver luvas grossas – de cabedal ou de jardinagem – use-as.

3 - Contacte as entidades para procederem à recolha do animal e o encaminharem para os Centros de Recuperação de Animais Selvagens (SEPNA-GNR, Parque/Reserva Natural...). Poderá contactar directamente um Centro de Recuperação de Fauna Selvagem. Consulte aqui a lista de centros a nível nacional


4 - Até à recolha mantenha o animal num local calmo, escuro e aquecido. Evite contactos excessivos. Não lhe dê alimento nem medicação.

5 - Recolha todas informações sobre o local e condições em que o encontrou (ex: junto a uma estrada, linha de água, reserva de caça, linha eléctrica...).

6 - Se não se sentir confortável a manipular o animal, contacte directamente o SEPNA e vigie-o para garantir que ele não se esconde antes de chegar ajuda.

7 - Durante as épocas de reprodução pode encontrar crias de ave no chão e pensar estarem feridas. Muitas vezes caíram apenas do ninho na primeira tentativa de voo ou passeio, estando bem e continuando a ser alimentadas pelos progenitores. Nestes casos tente verificar se os progenitores se encontram na zona ou se a ave está realmente ferida (com sangue ou muito debilitada). Pode colocá-la num ramo mais alto para não estar tão desprotegida no chão. Se em caso de dúvida a recolher para entregar às autoridades, registe bem o local onde foi encontrada, pois pode ser possível devolvê-la ao ninho, uma vez avaliada e tratada.

Fonte: http://www.quercus.pt/saber-agir 

Quer ajudar a recuperar um Animal Selvagem? Ofereça esta maravilhosa prenda de Natal!

Junte-se então a esta causa!

O Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco tem animais selvagens que precisam da sua ajuda para recuperarem de ferimentos, pode assim apadrinhar e ajudar!

São estes os animais que pode apadrinhar:

Classe 0: Andorinhas, Andorinhões, Pardais e Morcegos (nenhum em recuperação).

Classe 1:
- 1 Perdiz (Alectoris rufa);
- 1 Coruja - das - torres (Tyto alba);
-1 Tartaruga Mediterránia (Testudo hermanni);
- 2 Gaviões (Accipiter nisus).

Classe 2:
- Bútio-comum (Buteo buteo);
-1Garça-real (Ardea cinerea).

Classe 3:
- 2 Grifos (Gyps fulvus);
- 1 Bufos-reais (Bubo bubo).

Classe 4:
- 1 Abutre-preto (Aegypius monachus) irrecuperável.


Como apadrinhar?

1 - Faça download da ficha de apadrinhamento.
2 - Realize a transferência bancária no valor de donativo pretendido para um dos três Centros de Recuperação
3 - Envie um e-mail para o Centro de Recuperação que escolher apoiar, com informação sobre o apoio realizado e dados fiscais para emissão do recibo de donativo

Dados bancários e contactos

NIB: 0035 0222 0004 6017 0308 3

IBAN: PT50 0035 0222 00046017030 83 

Banco: Caixa Geral de Depósitos
Morada: Rua Tenente Valadim nº 19, r/c - 6000-284 Castelo Branco
E-mail: castelobranco@quercus.pt
Telefone/fax: 272324272 | Tlm: 963 957 669


 Valores de apadrinhamento

Classe 0: 5 Euros - Animais de tamanho muito pequeno
Por exemplo: Morcegos, andorinhões, andorinhas,  e outros pequenos passariformes.

Classe 1: 25 Euros-  Animais de tamanho pequeno
Por exemplo: Animais de tamanho pequeno: mochos e corujas, , gralhas,  ouriços e

Classe 2: 40 Euros - Animais de tamanho pequeno
Por exemplo:águia-calçada, milhafres, tartanhões, lontras e texugos


Classe 3: 60 Euros- Animais de tamanho médio
Por exemplo:águia cobreira, bufo real, garça-real, cegonha branca e corço

Classe 4: 100 Euros Animais altamente ameaçados
Por exemplo: águia-real, cegonha preta, garça imperial, abutre negro e gato bravo

 Mais informações: http://quercus.pt/apadrinhe-animal-selvagem/194-animais-para-apadrinhamento















sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Floresta e energias renováveis

As energias renováveis são encaradas como decisivas no combate ao efeito de estufa e redução da dependência de fontes energéticas externas. A utilização da biomassa florestal pode dar um contributo relevante na resolução destes problemas.


No final do século XX, o aumento da poluição, o efeito de estufa e a previsível escassez petrolífera levaram a comunidade científica, em primeiro lugar, e depois os governos, a advogarem o uso de energias alternativas.

As energias alternativas, como a solar, a geotérmica, a eólica ou a hídrica, para além de serem ambientalmente favoráreis, são praticamente inesgotáveis. No entanto, os interesses financeiros de alguns grupos económicos, a falta de incentivos para Investigação e Desenvolvimento e a inexistência de tecnologias baratas que permitam a sua utilização em grande escala, levam a que a sua importância no panorama energético internacional seja ainda reduzida.


O problema energético europeu


A nível europeu, dados relativos ao ano 2000 apontam para uma dependência energética externa da UE em contínuo aumento. Actualmente, 50% das necessidades energéticas da UE são supridas por produtos importados, maioritariamente do Médio Oriente e da Rússia, e pensa-se que este número poderá aumentar. Esta fraqueza da UE tem tido consequências económico-financeiras evidentes, por exemplo, aquando do forte aumento dos preços do petróleo, em finais do ano 2000.

Em Portugal, os números não são muito diferentes, com o nosso País muito dependente do exterior para o fornecimento de energia. Assim, as importações líquidas de energia têm vindo a aumentar, de 15 501 000 tep em 1990, para 24 118 091 tep em 2000. Registe-se que, em 2000, a produção doméstica nacional foi de 2 426 909 tep, cerca de 10% do total importado. Adicionalmente, o consumidor português ‘gasta’ cada vez mais energia; assim, se em 1990 um português consumia 1,66 tep de energia primária, em 1999 este valor era de 2,35 tep. Outro dado importante é que o nosso país continua a aumentar a sua intensidade energética (consumo de energia por unidade de PIB), contrariamente ao que acontece nos restantes países UE, o que significa que, em média, por cada unidade de PIB produzida em Portugal, gastamos mais energia que os restantes membros da UE.


Energias renováveis: parte da solução

Dada a inexistência de fontes petrolíferas nacionais ou europeias em larga escala, a dependência energética externa, a forte poluição atmosférica provocada pelo uso massivo de combustíveis petrolíferos e, também, os compromissos assumidos no âmbito do Protocolo de Quioto de diminuição da libertação de gases com efeito de estufa (GEE), uma das soluções para o problema passa, inevitavelmente, pelas energias renováveis (ER). Tal como foi referido, estas têm a vantagem de serem inesgotáveis e pouco agressivas para o meio ambiente.

De entre os inúmeros exemplos de ER, iremos ver com mais atenção a biomassa, em particular a biomassa florestal. Por biomassa adoptamos a definição constante da Directiva 2001/77/EC, de 27 de Setembro de 2001, isto é, “a fracção biodegradável de produtos e resíduos da agricultura (incluindo substâncias vegetais e animais), da floresta e das indústrias conexas, bem como a fracção biodegradável dos resíduos industriais e urbanos.”

Biomassa florestal

A biomassa florestal, usualmente associada aos países em vias de desenvolvimento (PVD), têm vindo a ser crescentemente utilizada nos países desenvolvidos (PV). Enquanto que nos PVD, a biomassa representa 90% da oferta energética, nos países da UE representa apenas 3%, com grandes variações de país para país. Com os apoios europeus às ER, prevê-se que possa atingir os 8,5%.


O cumprimento do Protocolo de Quioto

Caso as metas definidas no Protocolo de Quioto sejam realmente para cumprir, pelos países signatários, as suas escolhas energéticas terão necessariamente que mudar.

No caso português, a meta definida para 2008-2010, de não aumentar a emissão de GEE em mais de 27% relativamente aos valores de 1990, foi ultrapassada em 2000, com 31% de emissões. Na prática, o nosso país já gastou o crédito de emissões e terá agora que fazer um esforço suplementar para reduzi-las em, pelo menos, 4%. Estes objectivos só poderão ser atingidas combatendo os principais responsáveis pela emissão: o sector dos transportes e da oferta de energia.

Como pode a biomassa regular as emissões de CO2 atmosférico?

Contrariamente à energia produzida pelas centrais eléctricas a carvão, na combustão de biocombustíveis a quantidade de CO2 libertada equivale à quantidade retirada do ar durante o crescimento da biomassa nos anos anteriores, motivo pelo qual se considera como neutra para o ambiente a queima de biomassa.

Também a constituição de povoamentos com espécies arbóreas de rápido crescimento e curta rotação, explorados com o fim de produção de energia ou da sequestração de carbono, poderiam contribuir para esta meta. No entanto, levantam-se problemas ecológicos e ambientais a esta prática.

Os usos ancestrais dos resíduos da floresta

As transformações da sociedade portuguesa das últimas décadas, nomeadamente a diminuição da população rural, o abandono de práticas agrícolas e dos campos, levaram à desvalorização económica dos resíduos da floresta, encarados agora como lixo e abandonados na floresta. A lenha que outrora se recolhia nos baldios para o aquecimento e confecção das refeições foi substituída pela electricidade e pelo gás, a cama dos animas feita com matos foi abandonada, os fertilizantes orgânicos substituíram os matos e o estrume e os homens e mulheres que roçavam o mato vieram para a cidade.


A produção de energia eléctrica a partir da biomassa

A presença de matos e de outros resíduos da exploração florestal nas matas e povoamentos nacionais contribuem para o elevado número de incêndios que, anualmente, consomem mais de 100 mil hectares.

A biomassa florestal existente pode ser transformada, pelas diferentes tecnologias de conversão, em energia térmica e eléctrica, trazendo importantes benefícios sociais, económicos e ambientais. Uma contabilização dos resíduos florestais existentes nos povoamentos nacionais aponta para um potencial energético de 44,55 PetaJoule por ano, o equivalente a 1 238 milhões de litros de petróleo.

No nosso País existem duas centrais termoeléctricas que permitem o uso dos resíduos florestais para produção de energia eléctrica. Uma das centrais localiza-se em Mortágua (Central de Mortágua) e a outra em Vila Velha de Ródão (Centroliva, SA). A Centroliva tem menor dimensão, com uma capacidade instalada de 3 MW e um consumo diário de cerca de 120 toneladas de biomassa.

A central de Mortágua representou um investimento de 25 milhões de euros, em 1999. Com este investimento esperava-se a produção de 63 GWh de energia eléctrica, para fornecimento directo à rede eléctrica nacional. Dados relativos ao ano 2001 apontam, no entanto, para uma produção muito aquém da esperada. Espera-se para breve um relatório do "Grupo de trabalho sobre biomassa florestal" do INETI sobre a actividade da central, para se perceberem as fragilidades do projecto, de forma a corrigir futuros investimentos.

Condicionantes ao uso da biomassa florestal

1. Um dos problemas na difusão e maior aproveitamento dos resíduos florestais é a sua baixa densidade que, ao encarecer o transporte, implica que o mesmo só se faça de forma rentável para pequenas distâncias. Terão que ser equacionadas práticas de compactação ou estilhaçamento no local de recolha do material vegetal, de modo a rentabilizar economicamente o transporte e evitar um acréscimo da circulação rodoviário;

2. Grande parte dos produtores de resíduos florestais não se encontra sensibilizada para a sua utilização energética; será necessária uma maior divulgação e incentivos para fomentar esta prática;

3. É importante aumentar a divulgação da reutilização de resíduos madeireiros em processos fabris;

4. O aproveitamento da biomassa florestal requer cuidados especiais, de modo a que a vegetação que permaneça no local consiga assegurar a protecção dos solos e a manutenção dos habitats;

5. Falta de um levantamento nacional para identificação do potencial de utilização de biomassa, o que condiciona possíveis investimentos financeiros nesta matéria.

O desafio português

A problemática energia/ambiente e as orientações legislativas da UE levaram o governo português a publicar, em Setembro de 2001, o programa E4 “Eficiência Energética e Energias Endógenas”. Este Programa envolve um conjunto de medidas com o objectivo de, pela promoção da eficiência energética e da valorização das energias endógenas, contribuir para a melhoria da competitividade da economia nacional e para a modernização da sociedade portuguesa, salvaguardando simultaneamente a qualidade de vida das gerações vindouras, pela redução de emissões atmosféricas. Uma das medidas mais ambiciosas do E4 é a meta imposta de, num horizonte de 10 a 15 anos, 39% da energia eléctrica nacional ser assegurada por energias renováveis. Relativamente à biomassa, espera-se que os investimentos, até 2010, atinjam os 160 milhões de euros. Outras medidas importantes são a promoção das fontes de energia emergentes, como a biomassa, os incentivos fiscais à utilização de energias endógenas e os apoios financeiros, via Programa Operacional da Economia.

Definição útil


tep – tonelada equivalente de petróleo


Bibliografia consultada


Staiss C. e Pereira H. (2001). Biomassa, energia renovável na agricultura e no sector florestal. Revista AGROS, 1:21-30.


Biomass energy: data, analysis and trends


www.iea.org


World Energy Outlook


www.iea.org/weo/insights.htm

Nuvens, quando o invisível se revela

Quando a humidade atmosférica se revela criam-se as nuvens, de suprema importância para a vida na Terra. Qualquer que seja a perspectiva com que as encaremos, uma visita ao mundo das nuvens é, quase por definição, apaixonante.


Nem mesmo nos desertos mais áridos, o ar é desprovido de humidade. Quando esta se torna visível, chamamos-lhe nuvem. As nuvens são simultaneamente causa e efeito de uma série de fenómenos atmosféricos e nessa medida, têm um forte impacto nas nossas vidas. Elas dizem-nos que roupa devemos vestir, se devemos usar óculos de sol e mesmo se devemos ficar em casa ou ir à rua.

A humidade existente no ar provém em cerca de 90% da evaporação dos oceanos. Sempre que uma massa de ar carregada de humidade arrefece, a água até ali no estado gasoso condensa em minúsculas gutículas ou cristais de gelo e torna-se visível.

Os fenómenos que estão na origem do aparecimento de nuvens são de origem diversa e podem actuar separadamente ou em conjunto, dando origem a nuvens muito diferentes umas das outras. De uma forma geral, a temperatura do ar vai diminuindo à medida que a altitude vai aumentando. Daí que sempre que uma massa de ar é, por qualquer motivo, impelida para cima, entra em contacto com um meio mais frio, levando a que a água em si contida se condense e forme nuvens. Existem várias razões para que o ar se desloque verticalmente. A convecção, resulta do aparecimento de correntes ascendentes, provocadas pelo aquecimento da superfície da Terra, que impelem o ar para cima e que podem originar nuvens. As nuvens frontais formam-se sempre que uma massa de ar quente se encontra com uma massa de ar frio: a primeira é empurrada no sentido ascendente e condensa, formando nuvens densas e até tempestades. Existem ainda, as nuvens orográficas, que como o nome indica estão intimamente ligadas ao relevo. Quando o vento, que não é mais do que ar em movimento, encontra no seu caminho montanhas, segue o declive ascendente até eventualmente atingir o ponto de condensação.

O nevoeiro é o caso particular de uma nuvem que se forma ao nível do solo e que por isso não está dependente de qualquer tipo de corrente ascendente. O nevoeiro forma-se quando o ar húmido entra em contacto com um solo que perdeu temperatura durante a noite ou, com uma massa de ar mais frio. Por esta razão, o nevoeiro é mais frequente em noites claras em que a superfície da terra perde mais calor, sendo provável que no dia seguinte o Sol dissipe rapidamente o nevoeiro e se constate o ditado português "manhã de nevoeiro, dia soalheiro". Como o ar frio é mais denso, também acontece que ao se precipitar em vales ou outras depressões, entra em contacto com ar húmido que condensa e dá origem a um nevoeiro ou bruma característicos.

As nuvens têm acompanhado a existência do nosso planeta desde a sua formação, mas apenas no início do sec. XIX é que os Homens se debruçaram sobre a sua classificação. A terminologia que ainda hoje utilizamos, baseia-se na proposta em 1803 pelo cientista inglês Luke Howard. Pelo facto das nuvens serem estruturas altamente dinâmicas que podem apresentar formas intermédias, mesmo com regras de classificação bastante claras, a atribuição de um determinado epíteto nem sempre é fácil.

A terminologia utilizada para distinguir as nuvens assenta fundamentalmente em dois critérios: a forma e a altitude. Quanto à forma, as nuvens dividem-se entre as Cumuliformes, que fazem lembrar algodão e as Estratiformes que se apresentam sob a forma de uma camada. Quanto à altitude, classificam-se as nuvens a cima dos 5000m como cirros e para tal associa-se ao restante nome o prefixo "cirro". Para as nuvens situadas entre os 5000 e os 2000 metros, acrescenta-se o prefixo "alto". Às nuvens baixas não se acrescenta qualquer prefixo. A estas designações pode ainda somar-se uma adjectivação mais completa, também com origem no latim, e que descreve aspectos particulares da forma ou da dimensão das nuvens. Através da conjugação, destes termos podem designar-se cerca de três dezenas de tipos diferentes de nuvens, mas as mais vulgares, começando de baixo para cima são os Cumulonimbus, Cúmulos, Estratos, Estratocúmulos, Altoestratus, Altocúmulos, Cirroestratus, Cirrocúmulos e Cirros. As nuvens cumuliformes assinalam frequentemente tempo instável com aguaceiros. As nuvens estratiformes, decorrem muitas vezes da aproximação de uma superfície frontal, e por consequência anunciam uma viragem do estado do tempo, muitas vezes para regimes de pluviosidade intensa.

Em comum a todas estas nuvens, há o facto de mais tarde ou mais cedo, acabarem por desaparecer de uma de duas maneiras: ou se dissipam, o que significa que a água volta por acção da temperatura novamente ao estado gasoso, ou se precipitam, dando origem a chuva, granizo ou neve. Este último é o cenário que decorre do aumento do tamanho das partículas de água que a constituem. Uma gutícula de água numa nuvem tem em média 0,02mm, que é uma dimensão tão ínfima que lhe permite que, por acção do atrito e das correntes ascendentes, se encontre suspensa. No entanto, se no seio da nuvem houver turbulência, as gutículas colidem umas com as outras dando origem a gutículas maiores, que podem ir dos 0,5 aos 6,35mm e que forçosamente se precipitam por acção da gravidade. A natureza dessa precipitação, água, gelo ou neve, vai depender da temperatura dentro e fora da nuvem.

Para alem de serem responsáveis pela precipitação, as nuvens protagonizam ainda outro fenómeno atmosférico ímpar: as trovoadas. Apesar da trovoadas acontecerem muito frequentemente (em cada momento existem entre 1500 e 2000 tempestades activas no globo, que produzem mais de 100 raios por segundo e que apenas nos Estados Unidos da América vitimam todos anos cerca de 100 pessoas), a maneira como estas se processam ainda não foi completamente decifrada. Desde as primeiras experiências do cientista americano Benjamim Franklin, no sec. XIX até aos dias de hoje, ficámos a saber que as trovoadas se devem a diferenças de polaridade dentro das nuvens, mas continua a ser surpreendente a força resultante dessas trocas eléctricas. Um raio, que pode ter um comprimento de 30 Km, viaja a 96 000 Km por segundo e pode atingir uma temperatura de 30 000º C, ou seja cinco vezes mais quente que a superfície do Sol.

Para além das suas implicações de carácter meteorológico, as nuvens acrescentam frequentemente à paisagem uma inegável valia estética e contribuem de forma ímpar para enriquecer o imaginário cultural e onírico de muitos. Quantos de nós não nos detivemos já a encontrar nas nuvens formas familiares? A isso chama-se "nephelococcigia".

As nuvens constituem ainda um aspecto visível de uma atmosfera em permanente movimento, e nessa medida são auxiliares importantíssimos na previsão tempo. Mesmo assim, os seus caprichos não cessam de nos recordar a nossa verdadeira dimensão.

Fonte: Naturlink

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Estudo: Parques Naturais contribuem para a prosperidade das populações adjacentes

O trabalho de investigação concluiu que, entre 1996 e 2006, a maioria das famílias que viviam nos arredores do Parque Nacional de Kibale, no Uganda, melhoraram a sua vida através de um melhor acesso a água potável, posse de mais cabeças de gado e aquisição de um telhado de metal em substituição do de colmo que é característico das casas tradicionais.

Foi recentemente publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, um estudo que contraria a ideia generalizada de que as áreas protegidas contribuem de forma negativa para a prosperidade e bem-estar das populações envolventes.

A investigação, que teve como objectivo esclarecer a relação entre a conservação da Biodiversidade, os parques e a pobreza acompanhou a vida de 252 famílias que viviam a menos de 5Km do Parque Nacional de Kibale (Uganda) entre 1996 e 2006, e comparou-a com a de outras famílias que habitavam zonas mais distantes do parque.

Os resultados revelaram que, embora 10% das famílias do parque tenham tido de vender as terras, um sinal de pobreza extrema, a maioria prosperou mais ao longo dos 10 em que foram monitorizadas do que os agregados familiares que viviam longe da área protegida, através de um melhor acesso à água potável, a posse mais cabeças de gado e a substituição do telhado de colmo das casas tradicionais por um telhado de metal.

Os cientistas concluíram por isso que a pobreza que rodeia o parque não é consequência da sua existência.

Como explica Lisa Naughton, primeira autora do artigo recém-publicado “Se está preocupado com o bem-estar das pessoas que vivem à volta dos parques, não parta do princípio que é o Parque que os está a condenar à pobreza. Em vez disso, vire-se e olhe na direcção oposta. A terra está a tornar-se mais escassa e a maioria das florestas públicas foram eliminadas ou privatizadas. Há muitos outros factores, não apenas o parque”.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

25 Dicas para uma casa mais sustentável

Comprar, construir ou arrendar uma casa é uma decisão que envolve muitas questões. Se pretende mudar de casa, é a altura certa para olhar para o futuro espaço de forma sustentável, para que seja social, económica e ambientalmente equilibrado.

Comprar, construir ou arrendar uma casa é uma decisão que envolve muitas e importantes questões. Se pretende mudar de casa, eis a altura certa para olhar para o futuro espaço de forma mais sustentável. A Quercus vai tentar ajuda-lo nesta decisão, de forma a torná-la social, económica e ambientalmente equilibrada. Apresentando 25 sugestões, vamos tentar contribuir para que a sua decisão seja o mais próxima dos seus padrões de conforto, “poupando na sua carteira” ao mesmo tempo que “poupa no ambiente”!

1. A localização de um edifício é muito importante no que respeita às necessidades térmicas do espaço interior. Estas necessidades estão contempladas no Regulamento de Características de Comportamento Térmico dos Edifícios (RCCTE), onde se apresentam estratégias que contribuem significativamente para a melhoria do desempenho térmico dos edifícios. Procure aconselhamento especializado para verificar se a casa que vai habitar cumpre este Regulamento tanto para a situação de Verão como para a situação de Inverno.

2. Prefira um local arejado com pouco trânsito automóvel, o que se traduz em menos poluição e, bem servido de transportes públicos, para que os possa usar em alternativa. Se lhe for possível habitar próximo do seu local de trabalho, desloque-se a pé. Far-lhe-á bem à saúde e contribuirá para um ambiente mais saudável.

3. O Sol é a nossa maior fonte de energia. Tire disso o melhor proveito escolhendo uma casa maioritariamente orientada a Sul de molde a minimizar consideravelmente as necessidades de aquecimento durante a estação de Inverno. A radiação solar incide nas janelas de vidro e aquece de forma natural o espaço interior.

4. Durante a estação de Verão, há que impedir o sol de incidir nas janelas voltadas a Sul, verifique se as janelas possuem uma protecção pelo lado exterior: uma pala, persiana ou até vegetação (de folha caduca no Inverno).

5. Se a casa que vai habitar tiver janelas orientadas a nascente (Este) ou poente (Oeste) necessita obrigatoriamente de persianas exteriores, pois é nestas orientações que o sol incide mais horizontalmente. É imperativo, durante a situação de Verão, correr estas persianas, protegendo o vidro, pela manhã a Nascente e ao final da tarde a Poente.

6. O lado Norte da casa deve ser reservado a W.C.s, arrumos, ou outras divisões que necessitem de poucas aberturas (ou mesmo nenhuma) para o exterior. É nesta orientação que se originam grandes perdas térmicas através do vidro durante a estação fria. Se for impossível a escolha de uma casa sem divisões orientadas a Norte, então tenha sempre presente esta questão.

7. As fachadas envidraçadas originam grandes ganhos térmicos na estação quente e perdas térmicas muito consideráveis durante a estação fria, o que implica sistemas de climatização adicionais para corrigir este efeito. A área de envidraçado de uma divisão não deve ultrapassar 15% da área de pavimento dessa divisão.

8. Devemos também tirar partido do sol no que respeita a iluminação. Prefira divisões iluminadas naturalmente para minimizar a necessidade de iluminação artificial. Existem no mercado equipamentos de transporte de luz natural para divisões não iluminadas. Este “transformador de luz natural” canaliza a luz do exterior para o interior.

9. Sempre que necessária a iluminação artificial, opte por lâmpadas de baixo consumo e por iluminação localizada (só apenas onde é de facto necessária). Esta iluminação deverá ser provida de dispositivos para regulação do ambiente luminoso.

10. Se a casa que vai habitar ainda não possui equipamentos electrodomésticos, prefira, sempre que possível, os de Classe A, mais eficientes no que respeita ao consumo de energia e ao contrário do que se pensa não são necessariamente mais caros.

11. A localização e orientação solar, bem como a construção do edifício, é determinante para se ter uma casa confortável, do ponto de vista térmico. Verifique na Ficha Técnica da Habitação (FTH) como são as paredes exteriores do edifício. Deverá optar por soluções de parede dupla com isolamento ou parede simples com isolamento pelo exterior da parede.

12. O isolamento térmico adequado é determinante para evitar perdas de calor no Inverno ou ganhos de calor no Verão, mantendo assim uma temperatura constante no interior de sua casa. Prefira um material de isolamento com um baixo índice de condutibilidade térmica (U-value), mas com baixo teor de energia incorporada (energia consumida desde a extracção da matéria prima até ao produto final).

13. Verifique as caixilharias e o vidro. Aquelas com corte térmico (são fabricadas de forma a promover uma redução da transmissão térmica entre 40% a 60%) e vidro duplo são as mais indicadas do ponto de vista de conservação de energia. No entanto, deverá optar por caixilharias com grelhas de ventilação, para facilitar a renovação do ar.

14. Dê especial importância aos materiais utilizados, preferindo os de baixo impacte ambiental, não só na sua produção, mas também ao longo da sua vida útil. Informe-se sobre o poder de reutilização ou reciclagem dos materiais utilizados na sua casa.

15. É importante escolher materiais homologados e/ou com marcação CE e, nos casos mais importantes, solicitar os certificados de conformidade de acordo com as especificações aplicáveis, emitidos por entidades idóneas e acreditadas, seguindo as instruções dos fabricantes para a aplicação dos mesmos.

16. Verifique se a cobertura do edifício (terraço ou telhado), está adequadamente isolada (poderá fazê-lo através da FTH). Prefira um isolamento imputrescível e resistente à água, preferencialmente colocado sobre a laje e sobre a camada de impermeabilização.

17. Se o pavimento de sua casa estiver em contacto com o solo, opte por isolantes térmicos imputrescíveis e resistentes à água, ou pavimentos com caixa-de-ar e devidamente impermeabilizados para evitar perdas térmicas ou outras patologias associadas através do solo (estas soluções construtivas devem vir explicadas na FTH)

18. A renovação do ar interior é muito importante para que se mantenham as condições de salubridade interior nos edifícios. Uma casa insuficientemente ventilada poderá gerar humidade através dos vapores que se formam, afectando o conforto ou mesmo a saúde dos habitantes. Verifique se as caixilharias possuem dispositivos que permitem a ventilação.

19. As cores utilizadas nas fachadas e coberturas também influenciam o conforto térmico. Seja selectivo na escolha da cor de sua casa, considerando que, as cores claras não absorvem tanto o calor como as cores mais escuras (enquanto uma fachada branca pode absorver só 25% do calor do sol, a mesma fachada, pintada com cor preta, pode absorver o calor do sol em 90%).

20. Se a casa que pensa habitar está provida de equipamentos que funcionam à base de energia renovável, tanto melhor! Se vai construir é altura de os aplicar. De entre os vários existentes no mercado destacam-se:

Colectores solares térmicos

Estes equipamentos captam a energia do Sol e transformam-na em calor, permitindo poupar até 70% da energia necessária para o aquecimento de água. O RCCTE diz que todos os edifícios novos com condições de exposição solar adequada serão obrigados a ter, sempre que seja tecnicamente viável.

Painéis solares fotovoltaicos

Estes painéis constituem uma das mais promissoras formas de aproveitamento de energia solar. Por meio do efeito fotovoltaico, a energia contida na luz do Sol é convertida em energia eléctrica. Estes sistemas podem ser utilizados em locais isolados, sem rede eléctrica, ou como sistemas ligados à rede.

Bombas de calor geotérmicas

São sistemas que aproveitam o calor do interior da Terra para o aquecimento do ambiente. Actuam como máquinas de transferência de calor. No Inverno, absorvem o calor da Terra e levam-no para sua casa. No Verão, funcionam como ar condicionado, retirando o calor de sua casa para arrefece-lo, no solo.

Mini-turbinas eólicas

A energia do vento acciona estes sistemas para fornecer electricidade a uma micro-escala. Embora as micro-turbinas eólicas mais comuns sejam colocadas no terreno, existem umas de pequena dimensão que podem ser colocadas no topo das habitações. Podem significar uma redução do consumo de electricidade de 50% a 90%.

Sistemas de aquecimento a biomassa

A biomassa pressupõe o aproveitamento da matéria orgânica (resíduos provenientes da limpeza das florestas, da agricultura e dos combustíveis resultantes da sua transformação). Em casa, este tipo de matéria pode ser utilizada, por exemplo, em sistemas de aquecimento, representando importantes vantagens económicas e ambientais.

21. Existem no mercado torneiras de regulação do fluxo de água, que permitem reduzir o caudal estimulando a poupança deste recurso. Se a casa que vai habitar não possui estas torneiras, existem peças acessórias redutoras de caudal.

22. Verifique se os autoclismos são providos de dispositivos de dupla descarga que induzem poupança de água. (Poderá ainda colocar quando possível, uma ou duas garrafas de água com areia no interior, dentro do depósito do seu autoclismo. Isso significa poupar até 3 litros de água por descarga).

23. Se vai construir a sua casa e tem terreno disponível, tem a possibilidade de a equipar com mini estações de tratamento de água ou mini cisternas de armazenamento de águas pluviais, para posteriores utilizações em descargas não potáveis (como regas de jardim, autoclismos ou lavagem de automóveis).

24. No caso de vir a habitar um edifício de vários condóminos, verifique se no prédio existe espaço destinado a contentores adequados à separação de resíduos domésticos.

25. Dentro de sua própria casa opte sempre por um depósito de resíduos domésticos com pelo menos três divisões para estimular a separação destes resíduos.
Para terminar, se tiver oportunidade de reabilitar em vez de construir de novo, e se essa opção for economicamente viável, está desde logo a ter uma atitude mais sustentável. Reabilitar um edifício existente possibilita a diminuição dos impactes resultantes da energia associada à produção de um novo e da extracção das respectivas matérias-primas, para além de contrariar a tendência do crescimento urbano excessivo e a ocupação e impermeabilização de novas áreas de solo importantes para a conservação dos valores e equilíbrios naturais e para as várias actividades humanas!