segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ficha de Espécies - O Sacarrabos

Provavelmente introduzido na Península Ibérica pelos árabes, o Sacarrabos é um carnívoro diurno de médio porte, comum na metade sul do País. É conhecido pela sua capacidade de capturar cobras e pela sua forma peculiar de deslocação em grupo.

IDENTIFICAÇÃO E CARACTERÍSTICAS

O Sacarrabos Herpestes ichneumon é um carnívoro de médio porte castanho-acinzentado que, juntamente com a Geneta, representam a família Viverridae no nosso país. Também conhecido por mangusto, manguço ou escalavardo, tem um corpo alongado e de aspecto fusiforme, o focinho é pontiagudo, as patas são curtas e a cauda vai-se afunilando até à sua extremidade onde se encontra um pincel de pelos mais escuros. Tem uma altura no garrote de aproximadamente 20 cm, pesa 2-3 Kg, e tem um comprimento total de cerca de 90 cm, podendo a cauda chegar aos 50 cm. Na cabeça distinguem-se umas orelhas pequenas e arredondadas e uns olhos côr de âmbar que têm a particularidade de exibir uma pupila horizontal, caso quase único entre mamíferos e que revela hábitos diurnos. Não existe um dimorfismo sexual evidente entre machos e fêmeas embora os primeiros sejam um pouco maiores.

DISTRIBUIÇÃO E ABUNDÂNCIA

Esta espécie, que se pensa que tenha sido introduzida na Península Ibérica pelos árabes, tem origem etiópica e está presente na maior parte do continente africano e na Ásia Menor. Foi também recentemente introduzida numa ilha jugoslava. Na Península Ibérica está distribuida principalmente a SW. No nosso país é relativamente abundante no sul e o a norte já chega pelo menos à Serra da Estrela. Depois de um período em que deve ter sofrido uma regressão na primeira metade do século XX (a 'campanha do trigo' que devastou muito matagal mediterrânico), a espécie parece estar agora em alguma expansão provavelmente devido a 3 factores: o abandono de terras agrícolas e o ressurgimento de alguns matagais; a quase ausência dos seus predadores como o Lince-ibérico; por ter actividade principalmente diurna não compete directamente com outros predadores pelos mesmos recursos.

ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO
Não ameaçada. É uma espécie cinegética de caça menor que pode ser caçada a salto ou de batida (entre Jan-Fev). Pode ainda ser abatido no controlo de predadores.

HABITAT


É um típico habitante dos matagais mediterrânicos, com subcoberto bastante denso (o seu focinho pontiagudo facilita-lhe a deslocação neste tipo de habitat) e, em geral, nas proximidades de linhas de água. Geralmente como toca utiliza luras abandonadas de coelhos que alarga com as fortes garras que possui nos cinco dedos.

ALIMENTAÇÃO
O sacarrabos tem reflexos bastante rápidos o que lhe permite capturar ofídeos (cobras), inclusivé as espécies venenosas. No entanto, as suas principais presas são os pequenos mamíferos, nomeadamente os roedores e, sempre que disponíveis, também os lagomorfos (coelhos e lebres). Por ter hábitos diurnos, os répteis são também uma parte importante do seu espectro alimentar que inclui ainda insectos, anfibios, aves e matéria vegetal com valor energético.

REPRODUÇÃO
A época de acasalamento ocorre na Primavera seguindo-se um período de gestação de 84 dias, nascendo 2-4 crias entre Junho e Agosto. Os machos são poligâmicos podendo fecundar várias fêmeas. As crias ficam com a mãe até ao nascimento da ninhada seguinte, chegando a formar grupos de 7-9 indivíduos.

MOVIMENTOS
As áreas vitais do sacarrabos variam entre 0,5 e 5 Km2. A defesa efectiva dos territórios restringe-se ao espaço em redor dos seus abrigos.
CURIOSIDADES

As crias seguem a mãe em fila-indiana, cada uma com o focinho por baixo da cauda da que a precede, daí o nome sacarrabos (esta maneira peculiar de se deslocarem até levou ao equívoco de lhes chamarem cobra peluda). Também quando caçam em grupo, os sacarrabos apresentam a particularidade de rodearem a presa deixando-lhe poucas hipóteses de escapar.

LOCAIS FAVORÁVEIS DE OBSERVAÇÃO

O facto de ter hábitos diurnos e de ser relativamente abundante no sul do país torna a sua observação mais fácil que a dos outros carnívoros já apresentados (lince, raposa, geneta). Um passeio ao longo de uma linha de água será sempre uma boa ideia seguindo as indicações das fichas anteriores.

domingo, 25 de outubro de 2009

24 de Outubro, Dia Internacional da Acção Climática

As Alterações Climáticas deixaram de ser apenas uma ameaça para converter-se em realidade, quando certos fenómenos como o degelo do Árctico, a seca ou os fenómenos climáticos extremos se tornaram inequívocos. Actualmente, alguns efeitos prejudiciais das Alterações Climáticas são inevitáveis, mas ainda é possível controlar a sua dimensão, o que no entanto exige uma acção imediata.
O dióxido de carbono é o principal gás com efeito de estufa, sendo em grande medida responsável pelas Alterações Climáticas e seus efeitos, entre os quais se destaca a subida da temperatura. Assim, o primeiro e mais importante passo a dar neste momento é controlar a concentração de CO2 na atmosfera. Vários estudos indicam que 350 ppm é a concentração atmosférica máxima de CO2 para evitar fenómenos globais catastróficos e alterações drásticas, como a subida da temperatura em mais de2ºC.
Actualmente, a concentração do CO2 na atmosfera já atingiu os 390 ppm, de modo que o primeiro passo é controlar as emissões para que os mecanismos naturais de absorção do planeta possam actuar para a reduzir.
O movimento 350.org surgiu com o objectivo de consciencializar a população mundial e mobilizá-la numa iniciativa de dimensão histórica de manifestação da vontade pública de que os líderes mundiais se comprometam claramente na luta contra as Alterações Climáticas, através da adopção do objectivo dos 350 ppm de CO2 na atmosfera.
No próximo dia 24, dia Global da Acção Climática, decorrerão simultaneamente mais de 4500 acções em 177 países organizadas pela 350.org para exigir aos líderes políticos a acção eficaz no combate às Alterações Climáticas. O dia celebrar-se-á a seis semanas da Conferência do Clima das Nações Unidas em que decorrerá a assinatura de um sucessor do Protocolo de Quioto, que estabelecerá as novas metas de redução de emissões dos gases de efeito de estufa.
A nível nacional há várias iniciativas planeadas. Assim, a Quercus e o Condomínio da Terra associam-se à 350.org com acções em Lisboa (Padrão dos Descobrimentos) e em Gaia (tabuleiro superior da Ponte D. Luís) e em Montemor (Herdade do Freixo do Meio) que culminarão com a formação de um 350 humano.
Por outro lado, o CEAI e o Agrupamento de Escolas da Amareleja, em colaboração com as padarias da região, vão distribuir 350 pães em sacos de papel fechados com etiquetas contendo diferentes mensagens apelando à segurança climática. O dia será marcado também por um percurso de bicicleta entre a Amareleja e a Estação Biológica do Garducho, onde depois serão emitidos 5 minifilmes dedicados às Alterações Climáticas com a duração simbólica de 350 segundos.

sábado, 17 de outubro de 2009

Agricultura Biológica

A agricultura biológica tem crescido no nosso país a um ritmo superior à média europeia, sendo de assinalar o aumento do número de agricultores e da produção das explorações que, nos últimos seis anos, quadruplicou.

Esta prática, que produz alimentos de forma ambiental, social e economicamente sustentável, reduz a utilização de adubos minerais e pesticidas quiímicos de síntese e obriga à rotação das culturas, permitindo evitar a esterilidade dos solos e obter alimentos mais saudáveis.

Ao contrário da agricultura convencional, a agricultura biológia aplica métodos naturais de controlo de pragas e doenças. Os agricultores utilizam bacilos e insectos capazes de eliminar infestantes, de forma a salvaguardar a saúde humana e a preservar simultaneamente o ambiente.

As vantagens desta agricultura residem nas técnicas naturais de cultivo. Não existe uma só produção, mas várias e em pouco espaço. Isto facilita a circunscrição das pragas e a localização dos problemas. O facto de não se fazer duas vezes seguidas a mesma cultura, no mesmo local, permite que as pragas capazes de atacar uma cultura, não ataquem a seguinte.

Os produtos que resultam desta forma de agricultura alternativa são reconhecidos como de grande qualidade, maior valor alimentar, mais saborosos e menos perecíveis.

A primeira produção portuguesa deste tipo surgiu em 1983 e, até à data, tem vindo a conquistar adeptos, sendo de salientar a relativa juventude dos agricultores, com idade média dominante compreendida entre os 40 e os 49 anos.

Apesar da procura de produtos biológicos ter vindo a crescer, os agricultores debatem-se, ainda, com problemas relacionados com a sua distribuição e uma maior aceitação por parte dos consumidores. De facto, os respectivos preços de venda são, geralmente, mais elevados, devido não só a custos de produção superiores aos da agricultura convencional, decorrentes de uma produção em pequena escala e mais vulnerável aos condicionalismos naturais, assim como a margens de venda mais elevadas, pois são considerados produtos de luxo.


Correio Agrícola, Julho de 2006